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Pergunte pro seu orixá

on 16 dez, 2015 in Dossiê: Credos | 0 comments

Das lojas de artigos religiosos no Centro de BH à Iemanjá na Lagoa da Pampulha, conheça alguns espaços da umbanda e do candomblé na cidade.

 

A senhora ficou um longo tempo buscando velas coloridas no balcão da loja. Escolheu um bocado, acertou-se com a vendedora, guardou a compra em uma sacola de plástico, mas não foi embora – sentou-se em uma caixa na entrada da Casa da Umbanda, na rua dos Goitacazes, no centro barulhento de Belo Horizonte. É que Lila de Xangô esperava para conversar com Davi Rodrigues, responsável pela loja que desde 1961 vende produtos para umbandistas, candomblecistas, católicos ou mesmo quem deseja apenas acender uma vela colorida para atrair boa fortuna.

Lila tem 52 anos e há mais de 20 costura figurinos de umbanda e candomblé para terreiros e celebrações religiosas. Moradora do Barreiro de Cima, montou em sua casa uma pequena fábrica, onde está sempre “apertada de costura”, como gosta de dizer. O ofício ela aprendeu com a sogra, que costurava roupas de ração – as vestimentas típicas do candomblé, feitas de morim (o mesmo pano que é usado para fazer tecido de chita) ou cretone (um material mais grosso, de algodão ou de linho). Mas a paixão de Lila é costurar roupas dos orixás, as divindades cultuadas tanto na umbanda quanto no candomblé. “Atravesso a noite se for preciso fazer. Ontem mesmo fiquei até 1h30 costurando uma roupa para Oxum”, comenta. Lila, inclusive, já enviou uma roupa completa de Obaluaê para Nova York, sob encomenda.

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Vestimenta do orixá Oxalufã, na vitrine da loja Casa da Umbanda, na rua dos Goitacazes, no Centro de BH.

Segundo Lila, uma roupa de orixá pode levar mais de 30 dias para ser montada e bordada. E quando alguém faz o pedido de uma veste, ela sente que está trabalhando em parceria com algo maior que si. Se a encomenda não agrada a um orixá, ele logo a alerta e a produção enfrenta um série de desventuras. É tecido que rasga, agulha que some, cabide que cai. E lá vai Lila tentar agradar o orixá antes de finalizar a costura.

Ao lado de Lila, na entrada da Casa da Umbanda, faziam companhia o pai de santo Gilberto Xavier, 66 anos, e seu sobrinho André Hermógenes, de 30. Gilberto é professor de Matemática aposentado e pai de santo há 27 anos. Ele seguia o Omolokô – que ele explica ser uma religião com semelhanças tanto com a umbanda e o candomblé -, mas agora está no candomblé de Angola.

Gilberto comenta que vai constantemente à Casa da Umbanda para comprar produtos, sempre de acordo com o que cada orixá pede, e daí fazer as oferendas, também seguindo o local de preferência de cada divindade. “Cada orixá tem um habitat. Para Ogum é uma linha de trem. Nanã, num brejo. Iansã, um bambuzal e Iemanjá na praia, mas como aqui não tem, a gente escolhe um lugar bonito”, explica.

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Gilberto Xavier e o sobrinho, André Hermógenes.

Relembrando casos do passado, Gilberto acaba mencionando uma vez que organizou uma peça na escola onde trabalhava. Era Dia da Consciência Negra e os estudantes encenaram uma festa de terreiro. O que ninguém esperava era que uma das alunas recebesse realmente uma Pomba-Gira, relembra Gilberto, dando risadas. O pai de santo diz que teve que subir ao palco e discretamente prometer à entidade um agrado mais tarde para que ela abandonasse a apresentação.

E por falar em agrados a entidades, Gilberto comenta que em 99% das vezes as oferendas que são deixadas pela cidade são destruídas – “por preconceito, as pessoas não respeitam o trabalho”, acrescenta. Gilberto lamenta, mas afirma que se o trabalho foi ofertado de coração, o orixá recebe. Quem os destruiu que acerte as contas com as entidades depois, ele diz.

Gilberto afirma que nunca sofreu intolerância religiosa no seu terreiro, que fica próximo à Gameleira. Segundo ele, todos os vizinhos frequentam a casa. André, seu sobrinho e filho de santo, também não lida com muitos problemas relacionados a preconceito religioso. Ele é integrante do Get Eagles, time belo-horizontino de futebol americano organizado pela Igreja Batista Getsêmani. No time, ele joga lado a lado com evangélicos, católicos, espíritas e ateus, mas afirma que nunca passou por situações de intolerância. O próprio André é um exemplo de sincretismo, pois além de praticar o candomblé ele também assiste a cultos evangélicos e lê sobre budismo. Para ele, se houvesse mais integração entre os cristãos, o mundo seria mais pacífico.

 

Lojas de todos os santos

 

Se, por um lado, nem Lila, Gilberto ou André presenciaram situações de intolerância religiosa, na Casa da Umbanda a realidade é diferente. Em setembro de 2015, a loja foi alvo de uma tentativa de incêndio. Além disso, segundo uma funcionária, xingamentos na porta da loja são diários, geralmente partindo de pessoas que ela identifica como evangélicos. O curioso é que a própria funcionária com quem conversamos não é praticante da umbanda ou do candomblé. Na verdade, ela contou, poucos funcionários são.

A própria Casa da Umbanda é mais sincrética do que o nome pode apontar. Estátuas de Pretos Velhos, Iemanjás e Zé Pilintras dividem as prateleiras com imagens tradicionais do catolicismo, como o Cristo crucificado e muitas variações de Nossa Senhora. O movimento dos clientes também retrata essa diversidade – há quem passe por ali para adquirir conjuntos completos para realizar trabalhos de umbanda e aqueles que buscam apenas uma imagem católica.

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À esquerda, a loja Casa da Umbanda. À direita, a loja Arco-Íris, no Mercado Central.

E no final de ano, umbandistas, candomblecistas ou mesmo supersticiosos fazem fila para comprar oferendas a Iemanjá. São várias as opções de barquinhos em que se pode colocar presentes para a divindade das águas. Um dos pedidos mais extravagantes que a Casa da Umbanda atendeu foi justamente a encomenda de um barco de dois metros que um cliente pediu antes de seguir viagem para passar a virada de ano à beira mar.

E por falar em Iemanjá, a poucos metros da Casa da Umbanda, ainda na Goitacazes, fica a loja Deusa do Mar, também repleta dos barquinhos e dos “kits de praia” para a virada de ano. Reportagens apontam que a loja foi alvo dos mesmos ataques que a Casa da Umbanda sofreu em setembro, apesar de os funcionários não se mostrarem dispostos a comentar sobre esse episódio. Tentamos conversar com a responsável pela loja, um dos poucos funcionários praticantes da umbanda, que não confirmou nem desmentiu qualquer pergunta que fizemos. Disse apenas que o dono é sistemático demais e não gostaria que ela discutisse assuntos do estabelecimento conosco.

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Na Casa da Umbanda, há artigos religiosos para muitas crenças além daquela que batiza a loja.

A dificuldade para conversa se repetiu na loja Arco-Íris, no Mercado Central, bem na entrada pela Rua Santa Catarina. O movimento incessante de sexta-feira à tarde impediu que conversássemos melhor com o responsável pelo lugar.

Menor do que as outras duas, a Arco-Íris condensa sabonetes, ervas e incensos purificadores estampados com imagens dos orixás e também de Jesus no menor espaço possível. Os funcionários apareciam apenas emoldurados por colares que pendem do teto ou circulando pela área interna da loja, apressadamente recebendo mercadorias que chegavam da fábrica Porto Firme.

A fábrica belo-horizontina produz e revende artigos religiosos para o país inteiro. Segundo Paula Freitas, funcionária da fábrica, o principal produto vendido são os banhos – pequenos frascos com líquidos para ungir pessoas e lugares, servem para desde evitar mau olhado a atrair parceiros. A Porto Firme chega a vender até dois mil banhos por mês. O mais procurado é o Anakanan, que bloqueia más energias. Além dos banhos, a fábrica vende também imagens da umbanda, do candomblé e do catolicismo, velas e defumadores.

 

Orixás em praça pública

 

A década de 1980 foi um marco para a representação das religiões de matriz africana em Belo Horizonte. Em 1982, foi inaugurado às margens da Lagoa da Pampulha o Monumento a Iemanjá. No mesmo ano surgiu a Praça 13 de Maio, no bairro Silveira, região nordeste da cidade – a data é uma referência à instituição da Lei Áurea. Em 1983, a praça ganhou uma escultura do Preto Velho. Os dois espaços foram instituídos por iniciativa da Associação de Umbanda e Candomblé do Estado de Minas Gerais. Hoje, são os pontos onde acontecem as principais festas de rua da umbanda e do candomblé.

Na Praça 13 de Maio, o Preto Velho é representado por um senhor pequeno, sentado no alto de um pedestal de cerca de dois metros. Um chapéu emoldura seu rosto barbado e tranquilo, que fuma um cachimbo preso à mão por um arame. Esse arame não é um acessório comum às imagens do Preto Velho que se vê em outros lugares. No caso da praça, é uma questão de segurança.

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Praça 13 de Maio, também conhecida como Praça do Preto Velho, no bairro Silveira.

A escultura já sofreu diversos ataques. Em alguns deles, suspeita-se que a motivação tenha sido principalmente a intolerância religiosa. Um dos casos mais recentes diz respeito ao Pastor Lucinho, pregador evangélico que incitou um grupo de adolescentes a atacarem a tradicional Festa do Preto Velho que acontece na praça. Segundo o pastor, a missão do grupo era “dar uma busca e apreensão no Preto Velho”.

O Monumento a Iemanjá também já foi alvo de vandalismo mais de uma vez. Por isso mesmo, desde a sua inauguração já mudou bastante de lugar. A intenção original do escultor José Synfronini, 75 anos e católico, escolhido para talhar a estátua, era criar uma “figura de cinco metros que ficasse a 15 da margem [da lagoa]”, com os pés submersos na água. Questões logísticas reduziram as dimensões da estátua, feita em marmorite – um mármore sintético. Os cinco metros viraram dois, e o recuo da margem da Lagoa foi bem menor do que o pretendido a princípio pelo artista.

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Monumento a Iemanjá, na Lagoa da Pampulha.

Iemanjá é uma só. A estátua da divindade na Pampulha, porém, foi duas. A primeira delas não resistiu a sucessivos ataques e teve de ser retirada do local. No final da década de 1980 ela foi removida da lagoa e Synfronini recriou a escultura em bronze, material mais resistente, com algumas modificações no desenho. Essa primeira Iemanjá já não existe. Na verdade, o projeto precisou ser refeito mais de uma vez. Ela terminou por ser uma figura, segundo Synfronini, “mais tipo mãe, de mais idade, e um corpo, assim, mais de mulher […] Eu fui mexendo: o seio mais volumoso, o rosto mais encovado, então foi feito assim. Mas não tirei a sensualidade dela não”.

Mesmo a estátua de bronze não ficou imune a depredações. Os dedos da estátua foram cerrados e tentaram cortar o seu pescoço. Foram muitas as estratégias ao longo dos anos para tentar preservá-la. Até uma passarela foi construída ao seu redor em 1988, e, alguns anos depois, o próprio Synfronini projetou uma rede para cobri-la. Nenhuma das medidas surtiu efeito o bastante, até que, em 2007, a Iemanjá da Pampulha passou pela última reconstrução.

Para evitar mais depredação, a escultura foi colocada de vez dentro d’água, cerca de dez metros recuada da orla. Além disso, a imagem passou a ser emoldurada por uma peça em chapa de aço de seis metros de altura e três toneladas, colocada na margem da lagoa – um portal decorado com símbolos dos orixás do candomblé e da umbanda feito pelo artista plástico Jorge dos Anjos.

Jorge, 58 anos, nascido em Ouro Preto, é escultor há cerca de 30. Filho de Oxalá (ele diz que já foi filho de Ogum e de Xangô), o artista frequenta um terreiro de candomblé em Ribeirão das Neves, mas não é iniciado. Os símbolos do portal – as ondas de Iemanjá, a pomba de Oxalá, o martelo de Xangô – ele concebeu a partir do seu conhecimento das religiões afro-brasileiras.“A umbanda e o candomblé fazem parte do meu percurso porque eu trabalho com as referências africanas. Uma parte da cultura brasileira é africana e isso me interessa”, comenta.

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À esquerda, José Synfronini relembra as reformas por que a escultura de Iemanjá passou. À direita, Jorge dos Anjos aponta o símbolo de Iemanjá no esboço do Portal da Memória.

Jorge explica que a escultura é um portal da memória da cultura dos negros trazidos à força para a América. “Quando lá na África os negros eram escravizados, eles eram obrigados a dar voltas de costas com os olhos vendados em torno de um baobá enorme. Era para perder a memória, para não lembrar de família, de mais nada, antes de serem trazidos para cá, do outro lado do Atlântico. A ideia da escultura é ser o Portal da Memória, o contrário da árvore do esquecimento. É tudo simbólico, para não esquecer” explica Jorge.

Hoje, a Iemanjá da Pampulha está tombada – em dois sentidos. O primeiro é o tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), junto ao complexo da Pampulha, que concorre a patrimônio mundial pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). O segundo é que a estátua de Iemanjá está tombada, torta mesma, pendendo para a esquerda, o que é desaprovado tanto por Synfronini, o escultor original, quanto por quem passa pela lagoa, como o analista de meio ambiente Fábio Ferreira.

Encontramos Fábio, que costuma correr na orla da lagoa, realizando uma pausa em frente à Iemanjá. “Sempre corro por aqui, mas pela primeira vez resolvi parar e observar a estátua. Pena que está caindo, deviam colocar ela no prumo”, brinca.

Tombada ou não, isso não parece atrapalhar os devotos de Iemanjá, como sugerem os restos de várias velas coloridas que encontramos à beira da Deusa do Mar.

 

Entenda melhor

 

Candomblé: é uma religião de matriz africana que chegou ao Brasil trazida pelos escravos no período colonial. Eles foram trazidos de diversas regiões da África, cada qual com suas etnias. Por isso, há diferentes nações de candomblé, que se distinguem, por exemplo, pelas divindades cultuadas.

Umbanda: originou-se no Brasil em meados do século XX e incorpora elementos católicos, espíritas, das religiões de origem africana e de tradições indígenas.

Associação de Umbanda e Candomblé do Estado de Minas Gerais: conhecida como Federação Espírita Umbandista e Candomblé MG até 2010, reúne cerca de 900 terreiros no estado, segundo o atual presidente do grupo, João Magalhães. Só em BH, ele diz que são aproximadamente 130 filiados. A Associação é responsável pelo certificado dos terreiros, e recebe denúncias de más práticas e intolerância religiosa.

Orixás: são as divindades cultuadas tanto na umbanda quanto no candomblé de raiz iorubá. Eles personificam as forças da natureza e têm virtudes e defeitos humanos.

Preto-velho: é um dos guias espirituais da umbanda que os médiuns incorporam. Outros exemplos de entidades são os caboclos, os malandros, os ciganos e as pombagiras.

Sincretismo: com a religião católica, cada orixá corresponde a um ou a mais de um santo. Iemanjá, por exemplo, está relacionada a Nossa Senhora da Conceição.

Macumba: segundo o dicionário Aurélio, serve tanto para designar genericamente os cultos sincréticos afro-brasileiros quanto para denominar um instrumento de percussão de origem africana similar a um reco-reco.

Popularmente, os despachos deixados em cruzamentos (oferendas para Exu) também são chamados de macumba. Na maioria das vezes, o objetivo deles é o de pedir proteção, mas existem aqueles feitos para prejudicar outras pessoas. Este tipo de pedido, porém, não é incentivado nem pela umbanda nem pelo candomblé, que, no entanto, são até hoje vítimas de intolerância religiosa de parte da sociedade brasileira. Por desconhecimento e preconceito, seus terreiros, lojas e festas são atacados, apesar de a liberdade de crença ser garantia constitucional.

 

Além de dizer respeito às águas, a figura materna de Iemanjá é tambem relacionada à união familiar.
Há vários rabiscos espalhados pelo Portal da Memória. Segundo Jorge dos Anjos, o criador da escultura, eles desaparecem naturalmente com o tempo.
José Synfronini faz esculturas retratando imagens de vários tipos. De Tiradentes a Tancredo Neves; de Nossa Senhora do Sagrado Coração a Iemanjá.
O Monumento a Iemanjá fica no quilômetro 5650 da orla da Lagoa da Pampulha, próximo à Casa do Baile.
Parte do arquivo de José Synfronini sobre a escultura de Iemanjá.
Jorge dos Anjos em seu ateliê, em que está cercado por esboços de seus trabalhos em aço. As peças maiores, como o Portal da Memória, são feitas em indústrias seguindo os desenhos do artista.
Restos de vela enchem o fundo das pequenas bacias para oferendas próximas à margem da Lagoa no Monumento a Iemanjá.
Velas também são deixadas aos pés do Portal da Memória.
Placa de inauguração do Portal da Memória.
Placa de inauguração da Praça do Preto Velho.
A loja Arco-Íris, no Mercado Central. No canto inferior esquerdo da fotografia, caixas de artigos da fábrica Porto Forte.
Flagramos um gato esqueirando-se entre milhares de artigos religosos na loja Casa da Umbanda.
Os barcos para oferendas a Iemanjá variam de tamanho e preço. Mas se a intenção for boa, como diz o pai de santo Gilberto Xavier, toda oferenda agrada os orixás.
Estátua do Zé Pilintra na entrada da loja Casa da Umbanda.
Não hpa prataleira da loja Casa da Umbanda em que não se veja sinais de sincretismo.

 

Bruno Fonseca

Disseram que sou filho de Oxalufã*, mas que pareço também de Iemanjá. Fico, então, com o desejo de paz e o eterno gosto pelo mar. 

Gabriel Rodrigues

Filho de Oxalá e Obaluê*. Não mexe comigo, que não ando só.

Júlia Valadares

Sou filha de Oxóssi*, intuitiva e cheia de saúde, amém.

*Os orixás que protegem cada um dos repórteres foram descobertos nos búzios por João Magalhães, presidente da Associação de Umbanda e Candomblé do Estado de Minas Gerais.

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