como The Secret Lives of Mormon Wives tensiona a dinâmica tradicional das famílias mórmons
Por Alice Bastos e Giovanna Zanotti
O que acontece com uma família mórmon quando quem sustenta a casa já não ocupa o papel esperado? Casamentos perfeitos, vidas impecáveis e um escândalo que atravessou as telas e incomodou uma das comunidades mais discretas dos Estados Unidos. O reality show “A Vida Secreta das Esposas Mórmons” não apenas expôs conflitos internos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mas desafiou valores que, para muitos fiéis, são invioláveis.
O reality, criado pela Hulu e disponível no Brasil via Disney+, acompanha em episódios de aproximadamente 50 minutos o dia a dia de oito influenciadoras mães e membros da Igreja, entre festas, eventos e encontros “privados”, que servem de palco para discussões sobre tudo – de crises de fé a dramas sexuais. Desde sua estreia, a série se tornou a produção não roteirizada mais assistida da plataforma em 2024, superando inclusive outras apostas do gênero e alcançando rapidamente o ranking das produções mais vistas do streaming nos Estados Unidos.
Mas o reality não surgiu do nada. O elenco ganhou visibilidade mundial após um escândalo exposto por uma das próprias participantes, Taylor Frankie Paul, em 2022, quando acusou todos os casais do “MomTok” de engajarem em soft swinging – prática de não monogamia, em que casais exploram intimidade com outros, mas sem troca física total.

Disney
Mas o que seria um “MomTok”?
Em síntese, um grupo de mães (moms) que criam conteúdos para as redes sociais, principalmente o Tik Tok. O grupo nasceu com o objetivo de aproximar uma comunidade de influenciadoras mães e mórmons que pudessem se apoiar e crescer juntas. A primeira temporada acompanha o elenco original: Taylor, Whitney, Jen, Layla, Mayci, Jessi, Mikayla e Demi – além de seus maridos, que protagonizam o DadTok. Apesar de estável entre as temporadas, o elenco sofreu algumas alterações até o momento, com a entrada de Miranda e a saída conturbada de Demi, que se recusou a participar da temporada mais recente.
Em meio à curiosidade do público sobre a Igreja e seus costumes peculiares, as mulheres ganharam fama fora da comunidade Mórmon em cima do estranhamento causado. Enquanto o programa surgiu aproveitando a onda de engajamento da polêmica, que rapidamente se espalhou pelo mundo, para retratar a vida por trás da câmera (do celular) dessas mulheres e se colocar como um espaço para a “revelação da verdade” do que realmente aconteceu e quem se envolvia na dinâmica de swing.

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e suas peculiaridades
Na verdade, a história do Reality começa no interior do estado de Nova York, no início do século XIX, quando um jovem chamado Joseph Smith afirmou ter recebido revelações divinas. Em 1830, essas experiências foram, então, traduzidas no Livro de Mórmon e meses depois, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias foi oficialmente organizada.
Alguns anos depois, em meio a perseguições e instabilidade, os fiéis perderam o seu líder, Joseph, e a liderança da Igreja passou para Brigham Young, que conduziu os fiéis em uma migração para o vale do Grande Lago Salgado, no atual estado de Utah – cenário principal do reality.
A partir daí, seus membros organizaram cidades e estruturaram uma sociedade fortemente baseada em seus princípios religiosos. Com o tempo, essa presença se consolidou de tal forma que a cultura local de Utah passou a ser profundamente influenciada pela Igreja, com práticas, valores familiares e organização comunitária moldados por essa tradição.
E para entender o peso dessa presença no estado e na vida de seus moradores, é preciso entender os princípios que estruturam essa fé e orientam o cotidiano dos seus membros - que representam cerca de 42% da população total de Utah.
A Igreja baseia seus ensinamentos em princípios que combinam fé cristã, propósito espiritual e uma forte centralidade da família – elementos que, em muitos contextos, também moldam a vida cotidiana de seus membros. A crença em um Deus pessoal, que conhece e ama cada indivíduo – além de continuar se comunicando com a humanidade por meio de profetas vivos –, sustenta a ideia de que a existência tem um propósito maior, inserido em um plano divino de felicidade.
Jesus Cristo é visto como Salvador, exemplo, e seus ensinamentos orientam valores como o cuidado com o próximo, a resiliência diante das dificuldades e a busca por uma vida moralmente coerente.
Quem pode contar essa história?
É justamente a profundidade dessa presença em Utah que ajuda a explicar por que sua representação em produtos midiáticos desperta reações tão intensas. Mais do que um episódio isolado, o escândalo que impulsionou o programa já apontava para uma tensão central: o descompasso entre a imagem pública de mulheres mórmons – associada à disciplina, à família e à moralidade – e práticas privadas que fogem desse ideal.
Quando elementos ligados a essa tradição passam a circular fora do contexto interno da fé, especialmente em formatos de entretenimento, eles deixam de ser apenas práticas religiosas e passam a ser também narrativas disputadas no espaço público.
A relação entre a Igreja e o reality começou a se tensionar ainda antes da estreia da série. Após o lançamento do trailer, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias publicou um comunicado que critica representações midiáticas que, segundo a instituição, recorrem a estereótipos e distorcem a vivência de seus membros, afirmando que esse tipo de conteúdo “não reflete de forma justa ou completa as crenças e práticas da fé”.
Paralelamente, a repercussão também se estendeu ao público. Em um artigo de opinião publicado no Deseret News, veículo historicamente ligado ao contexto cultural dos Santos dos Últimos Dias, a jornalista Sarah Jane Weaver afirma que as representações recentes da Igreja na mídia não refletem a vivência da maioria dos membros e acabam reforçando estereótipos e distorções sobre sua fé. Para ela, narrativas como as exibidas no reality deixam de fora a diversidade de experiências e práticas cotidianas que marcam a vida de milhões de mulheres mórmons, criando uma imagem reduzida e, muitas vezes, sensacionalista da religião.
Sydney Maxfield, uma estudante de 19 anos da Brigham Young University e moradora de Provo, Utah relata a sua experiência com a representação de sua religião na mídia. “Não são muitas pessoas do meu círculo próximo que escolheram assistir ao programa. E acho que, se eu fosse conversar com a maioria delas, conseguiríamos olhar para isso e dizer que é uma distorção grosseira de quem nós somos e sabemos que isso é intencional, feito para inflamar as coisas ou destacar o evangelho de uma forma desfavorável, mostrando o seu pior lado. Então, acredito que, para a maioria de nós, tem sido possível reconhecer e separar que o programa não representa quem somos.”
Mais do que uma reação direta ou organizada, o que se observa entre parte dos membros da comunidade é um movimento de distanciamento. Ao evitar o consumo do programa e rejeitar sua legitimidade como representação da fé, muitos fiéis estabelecem uma fronteira simbólica entre a vivência religiosa e sua versão midiática. Nesse sentido, o impacto do reality não se dá necessariamente por mudanças explícitas de comportamento, mas pela forma como ele reforça a necessidade de diferenciação entre “o que somos” e “o que é mostrado”.
Essas reações ajudam a situar o debate em torno da série para além de uma controvérsia isolada ou de uma reação institucional específica. O que se coloca em jogo é uma disputa mais ampla sobre quem tem autoridade para narrar a experiência religiosa e como essas narrativas são reconstruídas quando saem do espaço interno da fé e passam a circular na esfera pública.
Pesquisadores como Stig Hjarvard e Mia Lövheim argumentam que a relação entre mídia e religião não pode ser entendida apenas como representação ou divulgação, mas como um processo mais profundo de transformação mútua. A mídia não apenas torna a religião visível ao público, mas também reorganiza as condições pelas quais ela é percebida, interpretada e vivida socialmente.
Isso significa que símbolos, práticas e autoridades religiosas passam a circular segundo lógicas midiáticas próprias, muitas vezes fora do controle das instituições religiosas, gerando novas formas de disputa sobre o que conta como uma representação legítima da fé e de suas práticas. Nesse contexto, produções como realities televisivos deixam de ser apenas entretenimento e passam a integrar um campo mais amplo de negociação simbólica sobre religião na cultura contemporânea.
“Eu consigo entender por que alguns aspectos da nossa doutrina são difíceis para as pessoas acreditarem. [...] Levando isso para esse programa e para a representação da nossa Igreja na mídia, acho que, infelizmente, é fácil que haja distorções, porque a intenção se perde na tradução do propósito por trás disso. Nosso evangelho é simples: o objetivo e a intenção são apenas nos ajudar a ter mais alegria. [...] Então, acho que na mídia, quando as coisas são mal representadas, a Igreja acaba sendo envolvida e há muitas falas agressivas ou até violentas contra ela. Nesse programa de TV, mulheres e famílias podem dizer o que quiserem sobre a Igreja, e isso é uma interpretação muito pessoal.”, relata Sydney.
Nesse cenário, o reality não se apresenta apenas como um registro da vida cotidiana dessas mulheres, mas como uma construção narrativa que organiza experiências pessoais em formato de entretenimento. A série acompanha o grupo, cujas vidas já eram parcialmente públicas nas redes sociais, que agora passam a ocupar também o espaço da televisão, onde suas histórias são reorganizadas em torno de conflitos, alianças e exposições emocionais. Essa passagem entre o cotidiano e sua versão mediada pela câmera não apenas altera a forma como essas trajetórias são narradas, mas também atravessa o modo como essas mulheres passam a vivenciar e performar suas relações mais íntimas, inclusive dentro do espaço doméstico.
Reconfiguração dos papéis domésticos
No centro do reality, está justamente a forma como a vida dessas mulheres se organiza a partir de um conjunto de valores religiosos que orienta, de maneira mais ampla, a própria estrutura familiar da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Dentro da doutrina, a família é entendida não apenas como um núcleo social, mas como uma instituição sagrada que pode se estender para além da vida terrena por meio de rituais religiosos. O documento oficial “A Família: Proclamação ao Mundo” reforça essa visão ao apresentar a família como parte essencial do plano divino e ao definir o casamento como a união entre homem e mulher, com filhos. Nele, também aparecem descrições de papéis tradicionais no lar, com o homem associado ao sustento financeiro e a mulher ao cuidado dos filhos e da vida doméstica.
Na prática, porém, essa leitura não se traduz de forma rígida ou uniforme entre todos os membros – e é justamente esse descompasso entre norma e cotidiano que compõe a narrativa do reality. Segundo Mayra Alves Dantas, de 34 anos e membro da Igreja há 14, o documento é frequentemente entendido mais como um guia do que como uma regra fixa. “Não é uma forma de medir o valor espiritual. Na prática, os membros entendem que, em algumas situações, as mulheres acabam sendo as provedoras do lar, seja por necessidade, por circunstâncias profissionais ou até mesmo por uma escolha conjunta do casal.”, explica.
O próprio documento também abre espaço para essa flexibilidade ao afirmar que marido e mulher devem atuar como parceiros, reconhecendo ainda que “incapacidade, morte ou outras circunstâncias podem exigir uma adaptação individual” na dinâmica familiar.
Ainda assim, dentro e fora do universo retratado pelo reality, persiste um modelo social em que o papel doméstico da mulher ainda é predominante e frequentemente duplo. Essa lógica não se restringe à comunidade mórmon, mas atravessa sociedades mais amplas, historicamente estruturadas por padrões patriarcais. Tradicionalmente, espera-se que a mulher concentre o cuidado da casa e dos filhos, uma função essencial, mas muitas vezes socialmente menos valorizada em comparação ao papel masculino de provedor. Na contemporaneidade, esse cenário se complexifica: além dessas responsabilidades, recai sobre as mulheres a expectativa de também ocupar o espaço profissional, respondendo a um ideal de desempenho que combina produtividade, cuidado e uma noção quase inalcançável de perfeição.
“Eu já vi expectativas de obediência. Como se fosse mais fácil para uma mulher seguir os mandamentos e as regras que escolhemos. [...] E acho que, em contrapartida, as expectativas em relação aos homens simplesmente não são as mesmas. Tenho a impressão de que eles não são cobrados com o mesmo rigor e, muitas vezes, parece que o nível de exigência é mais baixo.”, acrescentou Sydney.
É justamente nesse ponto que o reality se torna central para a discussão: as mulheres retratadas na série vivem – e expõem publicamente – um deslocamento desse modelo. Ao mesmo tempo em que preservam elementos da vida doméstica e da tradição religiosa, elas passam a ocupar, de forma crescente, o papel de provedoras financeiras de suas famílias, impulsionadas principalmente pela atuação como influenciadoras digitais. Ou seja, a renda familiar passou a ser majoritariamente gerada por elas, ainda que alguns maridos também exerçam atividades profissionais.
O resultado foi uma inversão parcial das expectativas tradicionais de gênero, na qual o papel econômico e visível dessas mulheres entra em tensão direta com o imaginário familiar que a própria doutrina ajuda a sustentar.

Masculinidade em negociação
O choque entre a expectativa religiosa e a realidade aparece de forma dramática na 4ª temporada do reality, gravada em 2025. Nela, podemos ver de forma ainda mais clara essa inversão de papéis e como isso afetou alguns dos casais. Conforme mostrado na temporada, em setembro de 2025, Jen Affleck (26) e Whitney Leavitt (32) são chamadas para participar do reality Dancing with the Stars, filmado em Los Angeles. Por causa das novas rotinas de ensaios e gravações, as mulheres precisam ficar mais tempo afastadas de casa, exigindo uma reconfiguração dos papéis domésticos: os homens precisam assumir ainda mais a responsabilidade de cuidar da casa e das crianças.
Essa inversão do modelo tradicional esperado pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias gera duas reações completamente opostas por parte dos maridos.
Zac Affleck, marido de Jen, demonstra um nítido desconforto com a mudança. Ele afirma sentir-se emasculado, ou seja, como se tivesse sido desprovido de sua masculinidade por não estar cumprindo seu papel de homem como descrito pela Igreja. Esse conflito interno gera um medo de perder seu valor próprio e uma insegurança sobre como será visto pela esposa.
Essa resistência se estende a mudanças maiores, como a possível mudança permanente para Los Angeles. Quando Jen fala que gostaria de ficar lá por mais tempo, para buscar mais oportunidades, Zac se mostra bastante contrário à ideia, já que isso seria uma forma de avançar a carreira e os sonhos dela (e não os dele). Mesmo antes desse impasse, o casal já tinha enfrentado problemas sobre essa inversão de papéis. Em uma entrevista ao podcast The Viall Files, publicada em maio de 2025, Jen conta que, no início do relacionamento, ele era o provedor e ela ficava em casa e, por causa disso, era ele quem tomava as principais decisões. Quando precisou começar a trabalhar para apoiar o marido na faculdade e sustentar a família, a dinâmica mudou: se tornou a provedora principal da casa e finalmente ganhou mais confiança e maior poder de decisão dentro do relacionamento. Segundo ela, “ele resistiu muito, o que causou diversos problemas” (tradução nossa). Além disso, ele admitiu que se sentiu, e ainda se sente, bastante inseguro em relação a isso.
Por outro lado, vemos a ressignificação feita por Connor Leavitt (32). O marido de Whitney assume o papel doméstico de forma positiva, oferecendo apoio ativo à carreira da esposa e sentindo-se bem em ser um “dono de casa” para que ela realize o sonho de participar do programa.
Connor demonstra disposição para abrir mão do trabalho em prol da família, e quando Whitney demonstra preocupação com a carga pesada de tarefas, ele se mostra pronto e disposto a se demitir e cuidar da casa, mesmo amando seu emprego. Ele encara a situação como uma escolha, não como uma perda. Em seu Tik Tok, Connor inclusive posta vídeos descontraídos sobre ficar em casa com os filhos enquanto a esposa sai cedo para sustentar a família.
No episódio “O Livro dos Egos Frágeis”, um diálogo entre Zac e Connor evidencia o contraste de perspectivas. Zac confessa que sempre procura Connor em busca de conselhos, já que os dois estão passando pela mesma situação. Ao ser chamado para encontrar Zac, para que eles pudessem cuidar das crianças e conversar, Connor fala sobre suas estratégias para se adaptar ao novo papel, de forma que ele mantenha seu senso de identidade mesmo sem trabalhar fora. O escape de Connor é a mágica.
Durante uma das entrevistas durante o programa, ele reflete: “Como pai que fica em casa, é muito fácil perder o senso de si mesmo. Fiquei assustado. Menos sobre o que as pessoas iam pensar de mim, e mais sobre como eu ia me valorizar e como a Whitney ia me valorizar. Tipo: ‘vou perder o respeito dela?’”
Em um momento descontraído cuidando das crianças, ele explica para Zac: “tentei aproveitar isso como uma chance para me expressar de um jeito que antes eu não conseguia. Então, algo que tenho feito (...) Mágica”. Ele reforça em depoimento que “mágica close-up é uma saída para mim” e conclui “desde que encontre algo que lhe dê calor e propósito, ser um pai que fica em casa pode não só ser gratificante para seus filhos, como também para você.”
Mais do que um conflito entre dois casais, a cena evidencia uma transformação mais ampla: quando as mulheres passam a ocupar o centro econômico e simbólico da família, não é apenas o papel feminino que se redefine, mas a própria ideia de masculinidade entra em disputa. Entre resistência e adaptação, os homens também são atravessados por esse deslocamento, revelando que a reconfiguração dos papéis de gênero não acontece de forma isolada, mas reorganiza toda a dinâmica familiar.
Entre tradição, mídia e transformação
O que “The Secret Lives of Mormon Wives” expõe, vai além de um retrato específico da comunidade mórmon. Ao transformar dinâmicas íntimas em narrativa pública, o programa evidencia tensões que atravessam diferentes contextos sociais: a persistência de modelos tradicionais de gênero, mesmo diante de mudanças concretas na vida cotidiana.
Ao mesmo tempo em que essas mulheres ampliam sua autonomia (financeira, profissional e simbólica), elas continuam inseridas em estruturas que ainda esperam delas a manutenção do espaço doméstico e da estabilidade familiar. O resultado não é uma ruptura total, mas uma negociação constante entre papéis antigos e novas possibilidades.
Nesse processo, a mídia desempenha um papel central. Ao selecionar, editar e dramatizar essas experiências, o reality não apenas revela conflitos, mas também os reorganiza, influenciando a forma como eles são percebidos tanto dentro quanto fora da comunidade. Para alguns, trata-se de distorção; para outros, de visibilidade.
Mais do que respostas, o reality deixa evidente que os papéis de gênero, mesmo em contextos profundamente tradicionais, já não são mais tão estáveis quanto parecem.
Edição: Ana Luisa Almeida e Cauã Alves de Souza
* Reportagem produzida na disciplina "Laboratório de Produção de Reportagem", sob supervisão de Elton Antunes